
Na última sexta (17), o Centro de Integração Social e Cultural – CISC “Uma Chance” certificou a primeira turma de multiplicadores do programa de escala da Incubadora de Empreendimentos para Egressos. Realizada no espaço das ONGs, no Centro do Rio, a cerimônia foi como toda cena de despedida, com alternância de sentimentos: momentos de emoção, outros de felicidade, outros ainda de tristeza pela despedida do coeso grupo que, nos três últimos dias, consolidou uma rede de atuação em prol da inclusão social de internos e egressos do sistema penitenciário.
Composta de três etapas, a escala objetiva a disseminação da proposta empreendedora para a reintegração social de internos e egressos do sistema penitenciário e jovens no cumprimento de medidas socioeducativas. Participaram da proposta 30 profissionais dos estados da Bahia, São Paulo (Campinas e Botucatu), Espírito Santo, Ceará, Alagoas e Belo Horizonte, além do Distrito Federal, que atuam nas áreas de Justiça, Segurança Pública e Educação.
Gestora de Projetos Sociais da Petrobras, Luciane Ribeiro também prestigiou os multiplicadores e empreendedores que, na mesma ocasião, encerrava a pré-incubação de negócios. Em breve palestra com os empreendedores ela comentou a importância da Incubadora para a patrocinadora Petrobras, abordando, ainda, os investimentos da Companhia de Petróleo, dentre eles, em projetos como a Incubadora.
"Quando se fala em Segurança Pública, a tendência é gastar mais, o que nem sempre resolve a questão. Não se ataca a causa, apenas o efeito", argumentou ela citando questões relevantes para uma mudança efetiva de rumos: "Educação, emprego e oportunidades".
Recém chegada ao grupo, Maria dos Anjos Santos, de Campos dos Goytacazes, Região Norte do Estado do Rio de Janeiro, mostrou-se feliz por integrar a equipe de multiplicadores. “Vi aqui concretizado tudo o que acredito em relação à transformação do ser humano”, disse ela, acrescentando: “Vale a pena lutar pelo que acreditamos”.
Em visita ao Rio de Janeiro exclusivamente para conhecer a Incubadora, a desembargador alagoano Tumés Airan, acompanhou a última etapa da formação dos multiplicadores que compreendeu visita à uma unidade prisional, participação na Oficina da Familia e a entrega dos certificados; estes, já com a chancela do Educomunicador, ou seja, com o reconhecimento do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE).
Representante de Campinas (SP), Luiz Carlos do Vale também registrou seu contentamento. Egresso do sistema penitenciário, ele revelou ter prometido jamais retornar à uma unidade prisional. “Agora me vejo fazendo trabalho com presos, porém com grande satisfação”, falou ele, completando: “Espero que outros saiam como eu, não apenas vivo, mas com vida”.
“Uma rede do bem se instala aqui”
Assim expressou Quésia da Cunha Oliveira, do Espírito Santo, sua opinião acerca do Projeto IEE e Equipe CISC. “Vimos, aqui no Rio de Janeiro, como a Lei de Execuções Penais acontece sob olhares diferenciados”, completou ela, seguida da advogada Edith Roitburg. “Quando venho ao Rio, fico com inveja do sistema prisional daqui”, disse Roitburd, referindo-se a parceria do CISC com órgãos como a Defensoria Pública, as secretarias de Administração Penitenciária (SEAP) e de Educação, o Tribunal de Justiça (TJ-RJ).
Ao afirmar a certeza de que o quadro atual será mudado, Roitburd teve endossadas suas palavras pelo empresário baiano Carlos Augusto Ribeiro: “De toda esta formação, o mais importante é o pós-encontro. Temos a responsabilidade de fazer isto se transformar em realidade, pois muitas vidas dependem do que aprendemos aqui”, finalizou ele.